Fotógrafos Experimentais
Análise de fotógrafos experimentais:
Grupo 2 -> Roger Humbert, Heinz Hajek-Halke, Shinichi Maruyama e Else Franke Thieman
Shinichi Maruyama
Fotógrafo japonês que explora o conceito de “wabi-sabi” ("beleza das coisas imperfeitas"), baseando-se em ideais do zen-budismo e valorizando a transitoriedade e a simplicidade.
Destaca-se por buscar transmitir através de suas fotos características como a fragilidade, a incompletude, o movimento e a impermanência, sendo conhecido por suas fotos que buscam capturar a efemeridade da água em figuras esculturais que nunca se repetirão, sendo um equilíbrio entre a influência do homem e da natureza. Dentre suas técnicas, está a de utilizar dos fenômenos de refração e de difração da luz para fazer cores aparecerem em gotas de água, criando algo que se assemelha a uma escultura feita de luz.
Também destaca-se por seu trabalho mais recente de nudes, em que tenta capturar a beleza tanto da figura humana quanto do seu movimento pelo trabalho de combinar, em camadas, 10000 fotos de um dançarino, juntando momentos ininterruptos em um só, contradizendo a noção da fotografia como um único momento parado no tempo.
O grupo escolheu o “nude #8” por ser um claro exemplo das características que Maruyama parece se encantar. Ao observar a fotografia do artista, o interlocutor percebe um forte senso de movimento, mas que prevalece uma dinâmica de equilíbrio, criando uma espécie de escultura, mas que não perde a fluidez e retrata a elegância do corpo humano e o seu movimento, contudo, que foge da noção de perfeição.
Roger Humbert
Fotógrafo suíço e pioneiro da fotografia concreta, Roger Humbert começou sua obra em 1950, focando muito em trabalhos com luz e contraste, e, mais tarde, com cores. Dentre suas técnicas, destaca-se a "luminografia" e o foco direto em linhas e formas, impossibilitando a percepção de objetos reconhecíveis.
O grupo selecionou a obra "Roger Humbert, Untitled (Photogram #8), 1960" por ser interessante visualmente, já que, a falta de uma objetividade figurativa permite as mais diversas interpretações do que pode ser visto na imagem. Sua descrição é: Luminografia realizada sem intermédio de câmeras, ou seja, feita por meio da exposição longa diretamente no papel fotográfico. Esse método inverte a posição da luz e da sombra, criando mais uma camada de profundidade criativa. Analisando sua composição vê-se, margens bem definidas, um certo ritmo formado pelas linhas, alto contraste, superposição de elementos e impressão de perspectiva.
Else Franke Thieman
Nascida na Alemanha em 1910, Else falece em 1981, mas deixa sua marca. A fotógrafa, influenciada pelo movimento dadaísta e da “Nova objetividade”, refletiu em sua arte a perturbação social e política diante a realidade da Alemanha nazista por meio da ausência de cores em suas obras. Dessa forma, Else Franke quebra um certo padrão, já que, nessa época, a cor e a vitalidade eram muito valorizadas no meio artístico,
Frequentou a Escola de Artes e Ofícios de Berlim e a Escola Estadual de Artes Liberais e Aplicadas, mas foi na Bauhaus em que se profissionalizou e produziu uma coleção de papéis de parede com temas variados e incomuns, utilizando fotogramas, manchas de tinta, cordas dentre outros objetos. Sobre a fotografia em si, Else, temendo perseguição política, retratava objetos banais, ela e seu marido, além de detalhes do cotidiano e cenas da vizinhança de onde morava.
A obra "Limpador de janelas em Kottbusser Tor", foi escolhida por retratar o cotidiano de forma singular, a relação de sombra, linhas e reflexo criam uma composição interessante.
Heinz Hajek-Halke
Hajek-Halke - artista alemão nascido em 1898 - começou a fotografar em 1924 e aprimorou suas habilidades ao ponto de criar um estilo próprio e único que o destacava em sua área, a “combi-fotografia” (montagem de diversos negativos para uma impressão). Além disso, usava de técnicas fotográficas diferenciadas, se aproveitando da luz, colagens de fotos, montagens e exposições duplas.
Em diversas de suas obras, Hajek-Halke utilizava da Raiografia/Fotograma - técnica em que objetos são colocados sobre o papel fotográfico, criando assim uma “fotografia” a partir da sombra dos objetos, e sem utilização de uma câmera. Além disso, é marcante a presença de abstrações, fotomontagens e luminogramas (variação da técnica Fotograma, porém com impressões da luz).
Em sua arte, Heinz Hajek-Halke trabalhava com uma realidade ilusionista ao lado de uma realidade natural, usufruindo da tecnologia fotográfica mas mantendo os princípios artísticos, algo que se destaca na obra escolhida.
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